segunda-feira, 8 de outubro de 2007

experimental #1

O amor não é uma luta. Não estamos mais nos tempos primitivos em que os homen se batiam para escolher a melhor fêmea. Nem na era medieval em que cavaleiros se digladiavam por uma donzela. Não somos animais. O amor é uma escolha, consciente, e a dois. Você ama, e decide se vive ou guarda pra si esse amor. Se resolver se declarar, a outra pessoa é que tem que decidir. Mas as coisas não acontecem assim: pessoas tentam manipular umas as outras, criam joguinhos, intrigas, fazem fofocas... Isso tudo é só o reflexo de um sentimento que essas pessoas, que eu chamo fracas, não tem coragem de externizar. Sentem-se envergonhadas, culpadas, ou talvez ignorem que o que se passa com elas é prejudicial a si e ao outro. Transformam isso tudo em ações invejosas, movidas pelo ciúme, pela cobiça.
O ser humano é um bicho muito medroso. Tem medo de si e do outro, o tempo todo. Medo do que pode fazer, medo do que o outro vai pensar, medo. E esse medo o coloca na defensiva, sempre esperando algum ataque, verbal que seja, ou por meio dos atos, e a paranóia cresce até que ele começe a atacar para se defender. Aí o ser atacado começa a ficar na defensiva também...e se segue assim, nesse círculo viciado, que abrange tudo e tanto. E as crianças passam a crescer nesse meio que é uma selva social, um tentando ser melhor que o outro, tentando fazer o outro pior. Aprendemos isso na escola, a falar mal dos outros, a ficar levando recadinhos, a espionar a vida alheia. Isso segue na faculdade, no trabalho, em casa...nunca estamos livres.
E eu sou menina, e escuto algumas coisas do tipo: mulher quando reúne é pra falar mal das outras mulheres", "amigo homem é melhor porque mulher é tudo invejosa", e etc. E me sinto muito triste em falar que quando se generaliza, é verdade. E vejo pela minha própria experiência, o motivo ser o mais banal: Homem. Há aqui uma interessante inversão de papéis, em que agora as donzelas se digladiam pelo cavaleiro. Só que a luta é silenciosa, nos olhares, nas meias-palavras ditas, nos atos indiscretos. Mulheres fazem intriga. Nada nobre, da parte delas. Isso faz com que se crie uma imagem de futilidade, nos torna não confiáveis. E o pior, é que os homens gostam! Infla o egozinho gigante deles, que se sentem o centro do mundo feminino, e ainda os dão motivo para se sentirem superiores.
Mas é claro que isso também existe entre os homens, mas eles são mais discretos, e antes de tudo, fazem menos declarações de amizades, o que faz uma diferença crucial: Se o cara não tem tanta intimidade assim com o outro, não há motivo para se sentir culpado ao cobiçar sua namorada, ou objeto de afeto. Com as meninas, é muito mais fácil se chamar de "amiga", pegar roupa emprestada, maquiagem, e quando as duas ficam afim do mesmo cara, ao invés de resolver isso entre as duas, entram numa disputa para ver quem chama mais atenção, deixando o cara se achar....Pior ainda é quando as duas não são amigas, aí a briga se dá sem nenhum pudor, não há a mínima importância com o sentimento do outro.
Nesse ponto eu devo exprimir minha opinião: Mulheres são burras. Se voltam umas contra as outras quando a atenção deveria estar no homem desejado. Bastaria explicar a situação e perguntar"com que você quer ficar?". E pronto. Mas não, as pessoas tem medo de serem sinceras, porque isto seria mostrar-se, e tornar-se vulnerável aos predadores sociais...
Aí eu chego no ponto a que me dirigia. Porque não a sinceridade? A verdade nua e crua ao invés de isinuações? A realidade é o que é, e não há como esconder isso de si mesmo, ainda mais porque a realidade é única para cada um. Se as pessoas deixassem partilhar suas realidades as interações seriam muito mais interessantes e completas. E mais fáceis, também. Ao invés de tentar ficar adivinhando o que se passa com o outro, este lhe diria prontamente!
E eu acho que as histórias de amor mais complicadas, dramáticas e trágicas, poderiam ter sido resolvidas com uma simples conversa... Romeu eu Julieta, por exemplo. Precisava se matar? Era só avisar que estavam juntos para a família e viverem suas vidas de deserdados. Podia haver um pouco de tolerância da parte das famílias também, mas intolerância é um outro defeito primitivo que o homem ainda não se livrou... E nos dias atuais, ao invés de meninas ficarem fazendo joguinhos, dando informações cruzadas (leia-se fofocas), dilacerando-se com os olhares, deveriam sentar e conversar, expor seus sentimentos, respeitar os dos outros. E os homens também. Deveriam perder essa mania de serem mentirosos, enganarem as mulheres (o que fazem com tanta frequencia...) e partir para a sinceridade. Quer ter duas mulheres? Então fale, há mulheres que aceitam isso. tem namorada mas quer ficar com outras? há mulheres que aceitam isso também. Tem gente pra tudo nesse mundo, gente, e basta uma conversa franca pra gente se entender.